Sindifisc-MT questiona versão do CRMV-MT sobre a sede e pede transparência
O Sindicato dos Empregados dos Conselhos e Ordens de Fiscalização e Entidades Afins do Exercício Profissional do Estado de Mato Grosso (Sindifisc-MT) contesta o texto publicado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT), em seu site, sobre a situação da sede da autarquia. Para o sindicato, o texto divulgado pela gestão apresenta contradições que precisam ser esclarecidas à sociedade e aos trabalhadores.
O primeiro ponto questionado está no próprio discurso do CRMV-MT. Na matéria, a gestão afirma que os problemas estruturais da sede se arrastam há quase uma década. Ao mesmo tempo, sustenta que foi na atual administração que houve avanço concreto para resolver a situação. Para o Sindifisc-MT, essa narrativa exige uma pergunta objetiva: se o problema era antigo e já conhecido, por que a solução efetiva não foi adotada antes?
Na avaliação do sindicato, essa contradição fica ainda mais evidente porque o atual presidente, Aruaque Lotufo, não surgiu agora no comando da autarquia. Ele integrou a gestão passada como vice presidente e atualmente preside a administração e disputa o triênio 2026-2029, ou seja, já está 06 anos. Por isso, quando a própria gestão reconhece publicamente que a situação se arrasta há anos, também precisa explicar por que, mesmo com continuidade administrativa, a resposta definitiva não foi implementada no tempo adequado.
Outro ponto central da contestação está na afirmação de que a sede pode continuar funcionando normalmente com o isolamento de algumas áreas. Para o Sindifisc-MT, essa fala não acompanha o teor dos documentos técnicos já produzidos sobre o caso. Em procedimento analisado pelo Ministério Público do Trabalho, consta que a Defesa Civil apontou comprometimentos estruturais, infiltrações, fissuras e risco concreto de colapso parcial ou progressivo, inclusive sem sinais prévios de alerta, além de classificar toda edificação do CRMV-MT como de Risco Crítico. O mesmo procedimento registra que a Defesa Civil recomendou medidas emergenciais, com restrição de uso e providências técnicas especializadas.
A gravidade da situação também foi reconhecida pelo Ministério Público do Trabalho, que converteu a notícia de fato em inquérito civil e registrou a necessidade de intervenção urgente para proteger a integridade física dos trabalhadores. Entre as medidas recomendadas pelo órgão estão a restrição imediata das áreas críticas, a contratação de avaliação especializada, a elaboração de laudo técnico detalhado, a transferência de trabalhadores de áreas comprometidas para local seguro e a adoção de teletrabalho nas funções compatíveis, onde o MPT deu um prazo de 10 dias para que seja apresentado as devidas medidas providenciada.
O sindicato também destaca que a matéria do CRMV-MT trata o problema como se a fase atual representasse um marco novo de enfrentamento, mas os registros técnicos mostram que a situação já havia sido formalmente apontada antes. Um laudo técnico elaborado em 2025, após o colapso da área de convivência da sede, já descrevia falhas estruturais, deterioração dos materiais, ação de agentes biológicos e ausência de manutenção preventiva. O mesmo documento recomendava a interdição da cobertura remanescente e a desmontagem de outras estruturas executadas em conjunto com a área colapsada, como a cobertura da garagem e da calçada dos fundos.
Para o presidente do Sindifisc-MT, Moisés Martins, o sindicato não discute a importância da reforma, mas sim a coerência entre o discurso institucional e a realidade dos documentos. “O que está sendo contestado não é a necessidade de reformar a sede. O que está sendo contestado é a tentativa de apresentar normalidade quando há documentos que apontam risco, restrição de uso e necessidade de medidas urgentes para proteger os trabalhadores”, afirmou.
Moisés também questiona a forma como a gestão tenta transformar um problema antigo em argumento de defesa. “Se a própria administração admite que os problemas se arrastam há quase dez anos, então é natural que a categoria e a sociedade perguntem por que a solução não veio antes. Ainda mais quando o atual presidente participou da gestão passada, conduz a atual e agora disputa a próxima”, declarou.
Depois do relatório da Defesa Civil, o Sindifisc-MT encaminhou ofício ao CRMV-MT pedindo medidas urgentes, como home office para os trabalhadores administrativos, continuidade das atividades externas fora das áreas de risco, proteção da frota em local seguro e abono de inconsistências de ponto causadas pela impossibilidade de registro presencial. No documento, o sindicato registra que os empregados não podem ser obrigados a entrar em área de perigo para cumprir a jornada de trabalho.
Sem resposta considerada suficiente, o sindicato formalizou denúncia ao Ministério Público do Trabalho, apontando a manutenção de atividades presenciais mesmo diante das recomendações técnicas e pedindo fiscalização urgente, teletrabalho e providências para interromper a exposição dos trabalhadores ao risco.
Para o Sindifisc-MT, a contestação à matéria publicada pelo CRMV-MT não tem caráter político-eleitoral, mas de responsabilidade institucional. A entidade afirma que seguirá cobrando que a comunicação da autarquia esteja em conformidade com o conteúdo dos documentos técnicos e com as medidas já exigidas pelos órgãos competentes.